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Por que o desafio da solidão nos fragiliza?

  • 22 de set. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 11 de jan. de 2023


Por que o desafio da solidão nos fragiliza?

É comprovado cientificamente que qualquer ser vivo é movido por um intuito. Pode ser fome, pode ser sede, pode ser sexo, mas a vida só tem sentido se houver um objetivo. Esse mesmo objetivo, durante o percurso, vai liberar emoções pelas quais valem a pena repetir o caminho ou a busca de um novo sentido.

A palavra companhia tem origem latina e é a junção de “com” que significa “junto”, e "panis" que significa “pão”. Dessa forma entende-se que algo de valor pode ser dividido com alguém em que se pode confiar, portanto a companhia é um estado emocional imprescindível na vida de qualquer pessoa, pois nossas emoções são movidas através de uma troca de afeto e aprendizado com o outro.

Por conta dessa conduta, e o resultado da procriação, seres humanos se adaptaram a uma vida em sociedade. A convivência não só desafia as pessoas, como torna o cotidiano mais saudável. Quando um indivíduo vive em sociedade, ele está vulnerável ao olhar do outro, sendo um olhar sensato, crítico ou exposto.

Infelizmente, por milênios, nossa civilização, em um processo evolutivo precário, dentro de uma sociedade cheia de dogmas, deixou de lado o princípio das relações para viver uma vida de imagem dentro de um sistema social.

Porém, a nossa civilização contemporânea contradiz todos esses dogmas quebrando diversos tabus, inclusive a individualidade.

Hoje em dia, os diálogos são informais perante um mundo onde somos livres para vivermos nossas inúmeras versões.

Mas por que continuamos fragilizados diante das relações?

Por que as insinuações de afeto são limitadas, e nosso ego vive dias de melancolia em busca de solidão?

Nesse mundo livre, habitado atualmente por indivíduos cheios de autonomia, expressada por trás das redes sociais, temos um sujeito acanhado, desencorajado, escondido atrás dos próprios batimentos cardíacos, em busca de alguém que o complemente.

Nossos humanos contemporâneos estão presos dentro da própria casca.

A solidão, nesse cenário, é ambígua.

De um lado, a ansiedade, que é o mal do século XXI, sendo o principal sintoma após a romantização das relações afetivas dignas de cinema.

Estar com alguém acrescenta ou adoece a mulher e o homem moderno?

É um círculo vicioso, como uma esteira hedonista.

Romantização, expectativa, realidade. De novo, romantização, expectativa, realidade…

Quem não encerra o ciclo na realidade, e se readapta a partir dela, é ainda mais suscetível às dependências emocionais, ou como popularmente chamamos hoje, relações tóxicas.

A outra versão da solidão é para os corajosos.

Aceitar a solidão como uma condição da existência é o princípio do autoconhecimento.

Se autoconhecer é encontrar equilíbrio e amor-próprio.

O sentimento de solidão é impactante e traumático. Talvez por não acolhermos a ideia de que ela existe e de que os laços não são vínculos eternos.

Quando incluímos essa condição em nosso cotidiano e olhamos para ela como parte da natureza dos fatos, a solidão pode ser uma aventura.

A fragilidade é um fragmento do ser humano, pode ser um ponto fraco ou ponto forte. Mas ela existe e se existe é para desencadear outros aspectos que de alguma forma desafiam nossa existência, nos tornando mais humanos.

Até a companhia é passageira.

A vida é um dia desses, e todas as provas de que nada nos acompanha eternamente, além da nossa própria permanência, estão explícitas no nosso dia a dia.

Sozinho ninguém fica, mas é esporádico, já que somos mutáveis.


 
 
 

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